IA em 2026

Das respostas à ação: como será a IA em 2026

Tecnologia   |   Joshua Burkhow   |   5 de fevereiro de 2026 TEMPO DE LEITURA: 4 MINUTOS
TEMPO DE LEITURA: 4 MINUTOS

Sou fã de começar o ano com energia, e nada melhor do que lançar um podcast para dar o pontapé inicial. Como diz o ditado: ou vai com tudo ou nem tenta?

Ao assumir este podcast como apresentador, quis levar as conversas sobre IA para um nível mais profundo e prático. Tenho grande interesse nesse tema e meu objetivo é promover diálogos relevantes sobre para onde a IA está evoluindo e o que isso significa para quem precisa fazer essa tecnologia funcionar no dia a dia, no que chamo de Futuro do Trabalho.

To kick it off, I sat down with two people I found have great perspectives on AI individually in this space: Patrick McGarry, Federal Chief Data Officer at ServiceNow, and Dr. Jupiter Bakakeu, Lead Generative AI Technologist at Alteryx. They’re not talking heads. They are in the trenches building the future and thinking about how AI actually works, and they don’t sugarcoat the reality of what it takes.

Para ter uma ideia de até onde essa conversa chegou, confira cinco ideias deste episódio que, na minha visão, devem moldar o debate sobre IA este ano:

1. Agentes mudam as regras do jogo

Os agentes de IA estão deixando de ser vistos apenas como assistentes inteligentes e passam a redefinir como as equipes se estruturam e como o trabalho acontece.

Jupiter explicou de forma direta: agentes reais não apenas geram respostas. Eles percebem, planejam, agem e aprendem. Quando começam a atuar em sistemas reais, como modificar registros ou acionar fluxos de trabalho, o nível de risco aumenta rapidamente.

Patrick foi objetivo: "No momento em que a IA pode agir, a governança se torna indispensável. Os erros deixam de ser apenas respostas incorretas e passam a ser resultados concretos".

É nesse ponto que boa parte do entusiasmo superficial perde força. Demonstrações impressionantes não garantem que um sistema seja seguro, auditável ou reversível.

2. Delegar com critério

Existe um entusiasmo legítimo em torno da delegação. Agentes de IA podem atuar como verdadeiros parceiros de trabalho, ampliando a capacidade das equipes.

Mas delegar sem critérios é abrir espaço para riscos desnecessários.

Jupiter trouxe uma estrutura prática: priorize tarefas que sejam repetíveis, reversíveis e auditáveis. Se atenderem a esses três critérios, faz sentido delegar. Caso contrário, mantenha uma pessoa no processo.

Exemplos:

  • Organizar arquivos ou classificar documentos
  • Agendar reuniões ou resumir relatórios
  • Tomada de decisões financeiras
  • Envio de declarações fiscais

Em resumo, o fato de um agente conseguir executar uma tarefa não significa que ele deva assumir essa responsabilidade. Precisamos ter cuidado com essa parte!

3. A voz ganha espaço, mas não substitui a interface

Falamos bastante sobre voz. Existe um otimismo real, especialmente em casos de uso voltados ao consumidor.

A voz reduz o atrito. Torna a delegação mais fluida. Quando funciona bem, parece mágica. No ambiente corporativo, porém, o cenário é mais complexo.

Patrick trouxe um ponto essencial: "A voz pode soar natural, mas a governança exige evidências". Em tarefas regulamentadas ou fluxos de trabalho que demandam alta precisão, clicar em um botão ainda oferece mais segurança do que depender apenas da interpretação da IA de um comando falado.

Jupiter reforçou essa visão: "A voz deve complementar a interface, não substituí-la".

Na rodada final de perguntas do episódio, ambos concordaram que a voz continuará evoluindo. Ainda assim, a digitação ainda seguirá predominante. Por agora, vou ficar do outro lado conversando com meu computador!

4. Os principais bloqueadores não são técnicos

Um dos mitos mais persistentes sobre IA é que o gargalo está na qualidade dos modelos. Não está.

Os verdadeiros obstáculos hoje são confiança e custo.

A infraestrutura necessária é massiva. Não por acaso, os custos de computação continuam subindo. Quando adicionamos regulamentações globais, como a Lei da União Europeia sobre IA e outras iniciativas em andamento, fica claro onde estão as restrições reais. A IA não escala sem confiança institucional e sem um modelo de custo sustentável.

As proteções são necessárias. Mas é importante reconhecer que o caminho para uma IA escalável passa por modernização, governança e qualidade dos dados, e não apenas por modelos mais interessantes.

Patrick resumiu bem: "Os vencedores de 2026 não serão quem correr atrás de cada nova funcionalidade. Serão quem executar com disciplina e consistência operacional".

Concordo plenamente.

5. A melhor IA é invisível

Uma ideia surgiu repetidamente na conversa: a IA mais impactante pode ser aquela que quase não percebemos.

Jupiter compartilhou um exemplo simples e poderoso. Ele criou um agente em segundo plano que limpa e classifica todo o seu Google Drive durante a noite, todos os dias. Sem alardes ou tarefas extras. Apenas trabalho concluído, de forma contínua e confiável.

Esse é o padrão a ser buscado. IA integrada ao fluxo de trabalho, executando o que precisa ser feito com governança e controle, sem introduzir novos riscos.

Pode parecer pouco disruptivo à primeira vista. Não é. Um conjunto crescente de melhorias incrementais, aplicado com consistência, gera impacto significativo ao longo do tempo.

Já superamos a fase da IA como novidade. Agora, o foco está em aplicar a tecnologia com intenção clara, estratégia e responsabilidade.

A transição das respostas para a ação é o que definirá 2026.

Ouça o episódio completo: 🎧 Podcast Alter Everything: Como será a IA em 2026?

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